segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que a chegada de Alonso pode realmente significar para a McLaren?


Estou aqui para desenferrujar as coisas. Sem mais promessas ou explicações sobre o sumiço, vamos direto ao assunto. A McLaren anunciou recentemente que contará com Jenson Button e Fernando Alonso como pilotos para a temporada 2015. Há muito mais tempo atrás, a equipe anunciou que teria como parceira para o próximo ano a japonesa Honda.

A reunião de dois campeões mundiais, sendo um deles o espanhol Alonso, conhecido pela sua personalidade forte e desagregadora , pode não ser uma tacada de mestre tão inteligente quanto parece. A verdade é que muito do insucesso da dupla Jenson Button e Kevin Magnussen neste ano se deu por conta do fraco desempenho dos carros prateados. Button tem um potencial e uma consistência indiscutíveis e Magnussen, apesar de erros e contra-tempos não fez uma temporada de se jogar fora. Talvez com um carro melhor poderia ter feito um ano com resultados mais significativos.

Trazer Fernando Alonso para liderar o projeto McLaren-Honda a partir de 2015 pode ter muito mais contras do que prós. Certamente a escuderia de Woking sabe disso, mas acabou refém do interesse de quem realmente paga a conta: os japoneses. O projeto da Honda em retorno à Fórmula 1 envolvia um piloto de alto nível e a vinda de Alonso foi perfeita para os interesses da Honda. Conforme o Blog do Ico salientou neste texto, o piloto espanhol é "extremamente popular no Japão e único, além de Ayrton Senna, a contar com um estande de produtos licenciados no circuito de Suzuka durante a corrida de F-1 no país". Além disso, seu novo apelo "samurai" tem atraído mais fãs orientais e maior visibilidade para a categoria. Pode ter sido, no entanto, uma boa jogada de marketing para a Honda.

Alonso também é um ótimo piloto e seu talento é inegável. Dono de dois títulos mundiais, o espanhol é considerado um dos melhores pilotos de sua geração, conhecido também por "tirar leite de pedra". Foi assim nos anos que defendeu a Renault pós-estadia na McLaren. Foi assim também nos tenebrosos anos na Ferrari onde imaginou que poderia encher sua sala de troféus.

Mas a McLaren sabe que esse casamento, aparentemente repleto de otimismo, pode acabar cheio de problemas. Por conta disso, a escuderia tratou de se mexer e confirmar Button como seu parceiro para 2015. Ter o piloto inglês como companheiro de Alonso significa benefícios na questão mais preocupante para a McLaren. Os vários problemas que o espanhol já teve com seus companheiros por onde passou (Nelsinho Piquet na Renault, Lewis Hamilton na McLaren, e Felipe Massa na Ferrari) pode ter fim com um companheiro conhecido por ser muito amigável e saber controlar um ambiente amistoso com intensa competitividade. Prova disso foram seus dois primeiros anos na McLaren dividindo a equipe com Lewis Hamilton, com ambos guiando em alto nível, apesar de contra-tempos e problemas que ambos tiveram com seus carros durante este período. Assim, penso que a difícil escolha entre Button e Magnussen levou demasiadamente em consideração o fator Alonso.

A McLaren enfrentou nos últimos anos uma grande reestruturação. Vários dirigentes e diretores deram lugares a novos personagens que apostam alto na parceria com a Honda. Não é difícil de notar o otimismo por parte de muitos mandatários da equipe quanto aos novos rumos, resgatados de uma aliança que já rendeu conquistas e competitividade únicas na história da categoria.

Ron Dennis é o personagem principal da McLaren dentre todos os dirigentes. Desde que assumiu a McLaren, como sócio e diretor geral em 1980, a escudeira conquistou dez títulos de pilotos e sete de construtores. A escassez de títulos da equipe faz com que muitos a relacione com o seu distanciamento da F-1. No entanto, com o retorno do dirigente à equipe, ainda que 2014 não tenha sido um ano a altura da McLaren, muitos acreditam que Woking pode voltar ao topo do categoria. E os resultados expressivos dentro das pistas podem ter reflexos positivos no "mundo real" onde Honda e a própria McLaren esperam anexar o conceito de marcas vitoriosas, algo que a Red Bull fez muito bem nos últimos anos.


Por falar em pistas, o motor V6 turbo da Honda foi testado pela primeira vez em Abu Dhabi, no final do mês passado, tendo apresentado diversos problemas. Algo que pode parecer normal diante da recente introdução das novas forças motrizes na Fórmula 1. Porém, com toda a concorrência já tendo aprendido
bastante na última temporada com os propulsores, uma lista enorme de defeitos deve estar causando uma série de preocupações para os engenheiros da McLaren e da Honda.

Apesar das dificuldades, é sabido que é necessário tempo para que a McLaren-Honda possa construir um carro verdadeiramente competitivo, pronto especialmente para enfrentar o poderia da Mercedes e da Renault, que evoluiu muito durante o ano com seus motores V6. Mas será que Alonso, vindo de uma temporada muito abaixo das suas expectativas com a Ferrari estará preparado para aguardar até que a McLaren-Honda alinhe seu carro nas primeiras posições do grid?

É óbvio que diante de todo o orçamento para o próximo ano e toda a injeção financeira que a Honda pretende colocar na equipe britânica, Alonso sabe que a expectativa japonesa é de resultados significativos e condizentes com os investimentos.

A verdade é que uma reestruturação como a vivida pela McLaren não costuma funcionar assim, de um ano para o outro. É possível até mesmo que a Ferrari, rejeitada pelo espanhol e que agora estará sob o comando de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen, comece o ano à frente dos ingleses. É muito cedo para especular como será os próximos anos de Alonso em sua "nova" casa. Mas uma coisa é certa: essa pode ser a última chance do piloto espanhol conseguir um próximo título na categoria. Se a McLaren falhar em entregar um carro conforme às expectativas, a insatisfação de Alonso certamente será ainda mais onusta do que foi nas últimas temporadas, o que significa problemas sérios, de poucas soluções. É esperar para ver.

sábado, 14 de junho de 2014

Quando o trabalho derruba o favoritismo


Após o GP do Canadá realizado na semana passada, duas coisas ficaram bem claras até aqui. Primeiro, que Daniel Ricciardo é um grande piloto e dificilmente vai terminar o ano atrás de seu companheiro e tetracampeão Sebastian Vettel. É simplesmente incrível quando um jovem chega a uma equipe badalada e acaba vencendo o atual quatro vezes campeão da categoria dessa forma, de maneira tão acertiva e consistente. Parabéns, Colgate!

Segundo, Nico Rosberg não é presa fácil para Lewis Hamilton. Está mais fácil o contrário. Rosberg pilotou com maestria tanto em Mônaco quanto no Canadá. No GP da semana passada mais ainda, visto sofrer de problemas incisivos no carro e mesmo assim conseguir terminar no segundo lugar. Praticamente uma "vitória" de campeão, diga-se. Se muita gente pensava que Hamilton teria vida fácil em busca do bicampeonato depois de sua sequência de vitórias, está claro que o inglês não é lá um piloto tão diferente daquele jovem de cabeça maleável. A verdade é que Rosberg não precisa vencer mais nenhuma corrida até aqui, pois fatalmente, se o alemão conseguir mexer com a mente de seu companheiro, conseguirá se aproveitar de muitos erros de Hamilton e terminar por vencê-lo no final da temporada.

Você pode dizer que Hamilton não errou muito até aqui, mas demonstrou em Mônaco que se combatido pode criar turbulências desnecessárias para o seu desempenho. E concentração é ponto fundamental para se conseguir chegar ao extremo na performance como piloto. E vale lembrar que Rosberg conhece muito bem a personalidade de Hamilton.

No caso de Ricciardo e Vettel, o piloto australiano tem visto seu companheiro se queixar demasiadamente de seu carro. Vettel inclusive recebeu um puxão de orelha de seu chefe que pediu para ele parar de reclamar tanto assim e se virar com o que tem nas mãos. Ao que parece, o alemão terá que encontrar uma maneira para tirar o máximo de sua Red Bull, como fez nos últimos anos. É importante constar, no entanto, que Vettel demonstrou nas duas últimas temporadas que é capaz de melhorar muito o seu desempenho na reta final do campeonato. Pode ser que neste ano vejamos Vettel se sobressair em cima de Ricciardo na temporada asiática, mas até lá pode ser que a diferença para o australiano esteja muito grande.

O fato é que Ricciardo tem se saído muito bem até aqui e a tendência é que sua performance só melhore. Se não fosse a desclassificação por um problema técnico na Austrália, ele estaria mais próximo das Mercedes no campeonato e seria o único a certamente desafiar o poderia prateado até aqui, como fez no Canadá.

Independente do que acontecerá a partir da Áustria, Nico Rosberg e Daniel Ricciardo já provaram que não tem medo de grandes adversários. O primeiro não quer abrir a mão de aproveitar talvez a única chance de conseguir ser campeão do mundo e o segundo sabe que vencer o tetracampeão Vettel, o colocará em uma situação privilegiada, ou no mínimo equivalente, quando ambos estiverem disputando o campeonato. O duelo dentro das equipes na F1 2014 está bastante interessante de se acompanhar.

sábado, 7 de junho de 2014

Números mentirosos


Ao ler as várias matérias divulgadas pela imprensa neste hiato entre o GP de Mônaco e o GP do Canadá, que acontece neste final de semana, é fácil perceber a ênfase dada ao atual momento da Ferrari. Muito devido às mudanças e conturbadas andanças políticas da escuderia, mas também por causa das reclamações públicas, seguidas dos elogios inesperados feitos por Fernando Alonso. Inclusive, há quase um mês escrevi sobre os caminhos que a Ferrari precisa fazer para voltar às vitórias e buscar o título novamente.

No entanto, além disso, o que tem me chamado a atenção sobre os textos preparados pela imprensa brasileira e internacional são as inequívocas cobranças e comparações feitas ao desempenho de Kimi Raikkonen desde seu retorno à Maranello. Até agora, o piloto acumulou duas corridas sem marcar sequer um ponto e obteve dois 7º lugar como melhor posição até aqui. Se comparado aos resultados de seu companheiro o trabalho do piloto finlandês parece estar longe da solidez.

É verdade que não era esperado que Alonso tivesse tanta facilidade assim para vencer o seu companheiro. Muitos esperavam um duelo acirrado entre os dois do início ao fim do campeonato, com ambos alcançando desempenhos similares. Raikkonen fez um ótimo trabalho nos anos em que trabalhou na Lotus, o que despertou desejo dos dirigentes da Ferrari. Mas o que está impedindo que aqueles resultados voltem a fazer parte da rotina do campeão mundial de 2007?

Ver um piloto sofrer com a adaptação em uma nova equipe não é novidade nenhuma dentro da Fórmula 1 e no automobilismo como um todo. Só para ficarmos em um exemplo, Lewis Hamilton, na temporada passada, sofreu com os mesmos problemas de adaptação que Raikkonen. Tudo bem que Hamilton conseguiu fazer uma campanha muito próxima de seu companheiro Nico Rosberg, mas cabe uma comparação similar quando olhamos para este ano e observamos o que o piloto inglês poderia render em 2013.

Raikkonen certamente está passando por um período de adaptação dentro de sua nova casa. E mais ainda, está se adaptando às diferenças que o atual bólido da Ferrari apresenta comparado ao carro da Lotus do ano passado. Ele não se acostumou com o carro que tem em mãos, assim como foi em seu retorno à Fórmula 1, quando demorou para se readaptar à categoria. Mas como vimos em um passado recente, o finlandês tem totais condições de reverter a situação e mostrar o brio que o fez campeão mundial. Basta acertar-se com o carro que tem ou aguardar o próximo ano, onde o monoposto será desenvolvido mais de acordo com alguns de seus gostos e preferências.

A diferença entre Alonso e Raikkonen no campeonato até aqui não reflete o potencial e a capacidade de ambos. Os números são mentirosos. O espanhol não é tão melhor assim que o finlandês, se o for, e teoricamente tem a vantagem de se sair melhor por estar há muito mais tempo na escuderia vermelha. Nem o finlandês é tão limitado quanto parece. Para a segunda parte do campeonato, ou no mais tardar na próxima temporada, podemos ver um desempenho mais próximo entre os dois e ai sim nos permitiremos sonhar com embates emocionantes dentro da Ferrari. Por enquanto resta esperar até que a equipe coloque um carro vencedor à disposição de seus pilotos para termos mais dois grandes candidatos ao título nos anos seguintes.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Danica Patrick ainda tem muito o que evoluir?


Danica Patrick sempre foi motivo para tirar a atenção por onde passa. Não só por sua beleza, que aliás merece bons elogios, mas pelo seu desempenho nas pistas. Na Fórmula Indy fez várias corridas discretas, algumas muito ruins e apenas conseguiu uma única vitória com os monopostos da categoria norte-americana, em Montegi, no Japão.

Já na Nascar a piloto apelidada de "dama de verde" não conseguiu de fato um resultado expressivo. Talvez alguém se lembre de uma ou outra chegada exponencial da piloto, porém contando mais com a sorte do que com suas próprias habilidades e competências. Pode parecer que não sou tão simpático assim de Danica Patrick. Mas apesar das críticas nessas poucas linhas acima, sempre tive uma enorme vontade de ver Patrick vencer corridas e provar no masculino mundo do automobilismo, especialmente na Nascar, que os homens teriam uma adversária fortíssima. Mas isso não aconteceu e a cada fim de semana que se passa é mais difícil acreditar que a "dama de verde" irá conseguir algo melhor do que vem apresentando, até porque a sorte não vem jogando tão do seu lado assim.

Neste último final de semana, no oval de Charlotte, a dona do carro número 10 conseguiu um dos seus melhores resultados na Nascar, pelo menos na classificação. Ela conseguiu uma bela posição de largada saindo na quarta posição. Fez uma consistente primeira metade de corrida, mas foi infortunada por problemas mecânicos quando estava na segunda posição, atrás apenas do poderoso e supercampeão Jimmie Johnson. A volta 286 terminou com as suas esperanças quando seu motor Chevrolet estourou deixando uma grande fumaça por onde passava. Era o fim do espetáculo de Danica Patrick, que finalizou a prova em 39º lugar.


Patrick está longe de chegar a ser uma piloto top da categoria ou por onde queira vir a correr nos próximos anos. Mas não é uma aberração como alguns querem pregar. Alguns de seus companheiros conseguem resultados muito mais inexpressivos e nem por isso merecem uma corda no pescoço sempre que o assunto vem a tona. Talvez os holofotes por ser mulher prejudicam um pouco a serenidade tão necessária para se correr em ovais.

Comparado aos resultados obtidos até o final de 2013 em suas corridas na Nascar, Danica Patrick conseguiu melhorar sua posição final em 8 das 11 corridas que disputou até agora em 2014. Pode não ser algo tão brilhante assim, mas com certeza existe uma evolução, mesmo que discreta em suas provas. Claro que ainda falta muito para que ela consiga andar com consistência no pelotão da frente, que exige uma outra dinâmica e uma diferente tocada.

Para Dover, Danica se diz esperançosa de demonstrar sua evolução na categoria. Em um oval onde vários pilotos demonstram afinidade e gostam de suas corridas, será mais difícil para que a piloto se aproveite de possíveis erros para angariar posições durante a corrida.

Aos que torcem por ela como eu, falta saber se a sua discreta evolução é apenas um start tardio em sua carreira que parece estar mais apoiada ao fato de ser uma mulher em meio a tantos homens do que uma piloto de alta qualidade, ou se ainda há muito o que aprender e evoluir frente aos concorrentes mais fortes da Cup.

sábado, 24 de maio de 2014

O golpe de Rosberg no favoritismo de Hamilton


A corrida de amanhã em Mônaco tem tudo para ter uma daquelas disputas acaloradas pela vitória. Não que tenha surgido alguma equipe disposta a derrubar o poderio da Mercedes, mesmo que a Red Bull tenha andado tão bem e se aproximado dos carros de Lewis Hamilton e Nico Rosberg neste sábado. A disputa que me refiro é obviamente entre os pilotos da Mercedes que protagonizaram uma disputa detalhista em busca da pole position.

Rosberg conseguiu deferir o primeiro golpe em seu principal adversário até aqui. Pode ter feito de propósito ao causar a bandeira amarela que atrapalhou a volta rápida que Hamilton vinha fazendo em sua última tentativa - o que não acredito que seja verdade - mas claramente mostrou que pode levar a vitória no principado amanhã. Já venceu em 2013 e se vencer novamente voltará à liderança do campeonato, freando o bom momento de seu companheiro de equipe e se apresentando como uma pedra maior do que se pensava no sapato de Hamilton durante o restante da temporada.

Um duelo interessantíssimo poderá ser travado amanhã. O alemão tem o privilégio de saltar na pole, mas Hamilton terá que tirar alguma carta da manga para pular na frente antes da primeira curva. Não conseguir o feito pode deixar a vitória ainda mais perto de seu companheiro-adversário. Fora a largada, Hamilton terá a oportunidade de ganhar a posição nos boxes. Em uma categoria com trocas de pneus cada vez mais rápidas, qualquer erro pode significar a entrega de Rosberg atrás de Hamilton na pista. E isso implicaria em um mal estar dentro da equipe que nenhum dirigente prateado gostaria de ver acontecer. Tentar uma ultrapassagem na estreita pista de Mônaco em condições iguais aumenta as chances de uma dor de cabeça maior para a Mercedes, além de entregar uma vitória para uma Red Bull que está voraz em busca dos triunfos ainda antes da costumeira paralização em agosto.

Neste sábado, após a classificação, Hamilton preferiu não segurar sua insatisfação e fazer uma comparação entre as brigas e disputa entre Senna e Prost com as que ele enfrenta com Rosberg, de uma maneira que deixou cada jornalista ali presente entender como quisesse.

"Não sei se Senna e Prost sentavam e conversavam sobre o que acontecia, eu meio que gosto do jeito com que Senna lidou com a situação. Vou fazer como ele." - Lewis Hamilton

Sua revolta pode ter dado toda a munição para que Rosberg corra com uma motivação a mais a fim de demonstrar a seu companheiro e ao público que tem condições de ser tão rápido e vitorioso que o inglês. Vale lembrar que Rosberg se saiu muito bem nas duas últimas edições da corrida monegasca, com um segundo lugar em 2012 e uma vitória em 2013. Em um momento em que o inglês era favorito para vencer o duelo com seu companheiro, atitudes assim são tudo o que Rosberg precisa para impedir a caminhada de Hamilton rumo a mais um título na F1, que não vem desde 2008.

Talvez seja exagero demais dizer que Hamilton pode voltar a perder um campeonato por causa de seu próprio ímpeto e temperamento, mas os primeiros sinais de que Rosberg pode desconcentrá-lo e atribular seu ambiente, antes favorável, já foram dados neste sábado. Resta saber se neste domingo o piloto inglês se aproveitará de sua boa fase para se recuperar do golpe que sofreu hoje.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Surpresa em Mônaco?


O Grande Prêmio de Mônaco é uma das corridas mais incríveis do automobilismo. Parece insano correr em um circuito de rua tão estreito e com uma velocidade tão grande alcançada pelos carros de Fórmula 1. É fácil cometer erros, o que proporciona uma atração a mais para quem quer acompanhar o espetáculo. Para este fim de semana, às equipes da F1 irão para à pista de Monte Carlo com a incerteza meteorológica na cabeça. Se chover, a loteria pode tirar o domínio absoluto da Mercedes que dura desde o início da temporada. Se não cair água no domingo, o favoritismo da Mercedes continuará a preocupar às principais rivais, mas até aqui Mônaco é o único circuito que pode reservar alguma surpresa para os prateados.

É o que espera a Red Bull, que evoluiu expressivamente desde o início da temporada. O próprio Daniel Ricciardo afirmou que a diferença do bólido de agora comparado com o começo do ano é enorme. Foram modificações, especialmente nos propulsores, que ajudaram os carros da Red Bull a se colocarem rapidamente entre os primeiros novamente. Daniel Ricciardo e Vettel deverão se acostumar com o pódio nas próximas corridas e também em Mônaco. E como no principado as coisas nem sempre funcionam como no restante das etapas, pode ser que o piloto australiano ou o tetracampeão alemão voltem a colocar o taurinos no topo do pódio.

A Mercedes sabe que esta etapa é tudo o que os adversários precisavam para tentar frear o seu domínio. Apesar de certa forma nivelar o potencial dos bólidos, Mônaco revelou que a hegemonia atual dos prateados pode continuar. Lewis Hamilton demonstrou-se surpreso logo após o término do primeiro treino livre na quinta-feira que o colocou na primeira posição da tabela de tempos. Isso pode representar que a Mercedes está melhor do que o imaginado em Mônaco e que o piloto inglês, bem como seu companheiro Nico Rosberg, estiveram longe de tirar o máximo que o carro permitia. Se isso for verdade, será mais difícil para os concorrentes ameaçarem o triunfo alemão na pista do litoral mediterrâneo.

Com a chuva fica notável que a diferença de desempenho da Mercedes comparado às demais equipes fica menor. Mas o grande problema para a performance das rivais não é se realmente haverá chuva. O problema é o quão bem elas andarão com a pista molhada a ponto de enfrentarem Hamilton e Rosberg. Fernando Alonso conseguiu o melhor tempo no segundo treino livre, também realizado na quinta-feira. Mas por todos os problemas já sabidos, a Ferrari não possui um ritmo de corrida tão bom e, como alguns engenheiros e pilotos deixaram escapar, não vale muito a pena considerar os tempos conquistados com piso úmido.


A Williams, que pode conseguir o seu melhor resultado do ano em Mônaco, aposta mais na pista seca do que na chuva para conseguir o feito. Apesar de diminuir o tamanho da soberania dos carros da Mercedes, a chuva não ajuda Valtteri Bottas e Felipe Massa a tirarem o máximo de seus carros. A água que caiu na quinta-feira provou isso e a instabilidade que já era um problema no seco, ficou menor ainda no molhado.

Além de Red Bull, Ferrari e Williams, fica difícil encontrar outra força que possa barrar o espetáculo de Hamilton e Rosberg. A Lotus pode pintar como uma surpresa se Romain Grosjean voltar a andar bem. Mas para que Grosjean alcançasse o primeiro lugar, muitas surpresas deveriam acontecer e muitas mesmo. A McLaren definha-se sozinha sem encontrar uma solução para o péssimo desempenho de seus carros. Ao contrário do que alguns possam sugerir, Jenson Button e Kevin Magnussen não tem praticamente parcela alguma nessa sequência ruim da equipe. Para confirmar isso, basta ver o que ambos fizeram no GP de estreia da temporada na Austrália, quando ambos alcançaram o pódio, sendo que seus monopostos estavam com um bom rendimento. Com um carro bom eles podem fazer melhor do que isso, obviamente.

A classificação de amanhã é muito importante para as pretenções de qualquer um dos times para a corrida no domingo. Em uma Mõnaco cheia de surpresas, quem sabe no domingo não celebremos mais uma delas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Post Rádio: "Love Train" - The O'Jays


É preciso pensar diferente quando se quer fazer algo criativo e interessante. Albert Einstein já dizia que continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes é insano. Na música, esse conceito se aplica perfeitamente.

O que é fazer música nova? Os dias de hoje são ingratos com os compositores e artistas. Muita coisa já foi experimentada, inovar nem sempre é uma tarefa fácil. Muito ao contrário de antigamente, em décadas atrás, quando os grandes cantores e as grandes bandas faziam música em cima do desconhecido, experimentando novos arranjos, novos sons, novas formas de fazer música. Afinal, a música como conhecemos hoje estava somente no seu início.

Por isso, os pioneiros, ou ao menos os ancestrais dos gêneros atuais merecem um crédito absurdo pelo que fizeram, pela coragem e pela inovação.

"The O'Jays foram um grupo foram um grupo do chamado "soul da Filadélfia" nos anos 70", nota apresentada pelo Wikipédia. Eles necessariamente se encaixam em uma das bandas que inovaram a maneira de fazer a música do seu gênero. É impossível não dizer que eles fizeram um maravilhoso trabalho pelos anos que atuaram e fortaleceram o soul, o jazz e o R&B, mesmo que sejam pouco reconhecidos pela geração atual.

A música que gostaria de compartilhar hoje é pouco conhecida dessa nova geração, acostumada a música mixada, chata e uniforme. Os grupos de hoje em dia (bandas, se você preferir), assim como qualquer profissional da música, como dito em algum parágrafo acima chegaram em uma época em que praticamente tudo já foi experimentado. É realmente difícil ter personalidade, ser único. Mas participar de um mundo onde todo o tipo de música é conhecido deveria ser um grande trunfo para essa geração. Mas o que se vê é sempre a mesma coisa.

Mas isso vale uma discussão para outro post. Como estava dizendo, a música que apresento hoje é "Love Train", lançada em 1972, que foi uma das pioneiras do Philadelphia Soul. Sem mais delongas, vá lá em cima, aperte o play e curta mais essa nostalgia do Post Rádio.